Um fio de escuridão tece o céu
E pouco a pouco surgem estrelas,
Cintilando o negro véu.
Na choupana crepitam as velas
Que pintam sombras 
Através das frágeis tábuas.
Um garoto, sob surrada alfombra,
Medita todas as suas mágoas.
Prostrado a um canto da tapera
Na alta madrugada fria
Já o visitante não espera.
Não crê no amor ou na alegria
Não crê nesse ser cruel
Que dos simples esquece
O que chamam de Noel.
Agora seu coração escurece
E deixa a pobre morada,
Pra esquecer seu infortúnio,
Errar pelas ruas sem parada.
Da euforia, arrimo do pecúlio,
A todo canto soa a voz.
O menino de vida infeliz,
Do sofrer se torna feroz. 
Então da janela acena um petiz
De uma bela mansão iluminada
O garoto responde o sinal
Para aquela criança abastada.
Um inocente colóquio afinal
Inicia entre dois mundos
Entre o menino afortunado
E o pobre garoto iracundo.
Com o alimento acondicionado
Em fino recipiente prateado
O pequeno benevolente
Apazigua o coração do revoltado.
Porém uma inveja do indolente
Reacende mais intensa sua fúria
Contra quem tudo pode possuir
E deseja lhes provocar a lamúria.
Então uma família começou a ruir
Em uma triste manhã de natal
Um casal encontra seu filho
Fora da casa, diante seu portal,
Escorre o sangue no ladrilho.
Cena de horror, sanha ingrata,
O menino com os olhos no vazio
Sua cabeça na bandeja de prata.

Vocabulário

Alfombra: tapete
Apaziguar: acalmar
Arrimo: aquilo que sustenta ou apoia
Benevolente: solidário, bondoso
Cintilar: fazer brilhar
Crepita: estrala (no fogo) 
Errar: andar sem rumo
Euforia: Alegria intensa
Iracundo: Com Ira, raiva.
Indolente: que não sente dor (sentido figurado: que não sofre)
Infortúnio: infelicidade
Lamúria: lamento
Prostrado: Abatido, triste ou humilhado
Pecúlio: Dinheiro, fortuna (guardado ou juntado)
Petiz: menino, criança.
Sanha: desejo de vingança
Surrada: gasta, muito usada
Tece: ação de tecer, costurar.
Tapera: casa velha em ruínas

história de terror de natal a visita

A História de Terror ‘A Visita’ foi escrita por Aldo Almeida.

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Categorias: Histórias de Terror

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