Dias atrás, eu estava com meus netos me deliciando com um café da tarde em um dia chuvoso, quando eles me pediram para contar histórias de quando eu era telefonista. Fui telefonista da década de 60 em diante e me aposentei na mesma profissão na qual fui uma pessoa muito respeitada, valorizada e obtive muitas experiências de vida. Histórias não me faltavam e meus netos adoram ouvi-las, como por exemplo, do dia que atendi Agnaldo Timóteo e não consegui agir com a formalidade exigida pelo protocolo do trabalho porque era sua fã. Ele, por sua vez, foi de uma gentileza tremenda e, quando o transferi para o hotel que ele gostaria de falar, quase não acreditei que aquele momento havia acontecido.

Porém, creio que pelo tempo de chuva, meus netos queriam histórias assustadoras sobre minha época na companhia telefônica. Como trabalhei boa parte do emprego de meia noite às seis horas da manhã, eles queriam saber se aconteciam coisas sinistras entre as chamadas. Então, me lembrei da história da saudosa Ana.

Ana era minha melhor amiga na companhia telefônica. Entramos juntas no trabalho como telefonistas, fizemos treinamento na mesma turma e por fim fomos encaminhadas para o turno da madrugada juntas. Desde o dia que a conheci, na prova de seleção, senti profunda simpatia pela mocinha do cabelo liso castanho e sardas pelo rosto. Fiquei muito feliz quando fomos apresentadas como colegas de trabalho.

Vez ou outra, a companhia mudava nossos turnos para dar um descanso aos nossos corpos. Então, passávamos um período trabalhando pela manhã e outro pela tarde. Sempre dei muita sorte de Ana me acompanhar e de sempre coincidir nossos horários de trabalho. De modo que, conforme os anos foram se passando, ela tornou-se minha amiga íntima. Frequentava a casa de minha mãe, íamos às brincadeiras dançantes juntas e sempre estávamos rindo ou chorando na companhia uma da outra.

Lembro-me do dia em que Ana ficou noiva e a alegria que sentiu. A moça iluminou-se, pois amava seu noivo e sempre sonhava com o casamento. Em nossa juventude, casar-se era uma honra. Assim, Ana pôde viver esta felicidade de ser pedida em casamento. Ela logo tratou de reforçar seu enxoval e fez diversas compras de cobertores, tapetes e demais itens práticos em uma loja grande de departamentos existente ainda hoje na cidade. Ana já tinha muitas coisas do enxoval, pois as mulheres de sua família e ela, haviam bordado e costurado muitas delas, mas ela estava tão contente e se sentia tão independente por trabalhar, que decidiu fazer uma compra enorme de enxoval e pagar através de crediário. Ela não me contou sobre esta aquisição porque eu já havia lhe repreendido algumas vezes por ser muito “mão aberta”.

No entanto, a alegria de minha amiga durou muito pouco. Em uma tarde de domingo, voltando da praia com a família de seu noivo, o veículo conduzido por seu sogro sofreu um acidente e não restou nenhum sobrevivente. Ana tinha apenas 21 anos. Nossa cidade entrou em luto. E meu coração estava em mil pedaços.

Nesta época eu estava trabalhando no turno da madrugada. E a companhia telefônica não me concedeu luto por não ser familiar. Continuei trabalhando normalmente e, durante o dia que deveria descansar, ficava me lamentando por minha amiga. Então, algumas coisas estranhas e assustadoras começaram a acontecer…


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Cerca de uma semana após este acontecimento trágico, os aparelhos de trabalho das telefonistas passaram por uma pane de três dias, sendo necessário vir técnicos de outros países para resolver o problema. Quando a pane dos telefones mudos acabou, eles passaram a tocar durante a madrugada cerca de duas a três vezes e a cair sem interferência das telefonistas. A família dos Pontes, por exemplo, tocou em algumas madrugadas sem que a ligação tivesse sido completada por uma telefonista. O fato levou a mais algumas análises técnicas e nada adiantou.

Após uns quinze dias da morte de Ana, a vida parecia ter se normalizado. Em uma madrugada trabalhando, tive um efeito. Provavelmente provido pelo estresse que eu havia vivenciado. Então minhas colegas me levaram em uma sala com um sofá para repousar um pouco. Elas logo tiveram que voltar para as mesas de trabalho. Tive uma espécie de sono muito forte, porém não adormeci. Foi quando senti o perfume de Ana. Abri os olhos rapidamente e ela estava em pé na minha frente.

Fiquei abismada, com os olhos arregalados olhando para ela. Tentei abraça-la, mas não consegui. Ela ainda estava com sua ternura de sempre e, naquele momento, mais angelical que nunca. Ela me disse que estava em um bom lugar e que seu noivo estava com ela, só que tinha algo que não a deixava em paz: havia falecido devendo para a loja de enxovais. Como eu era muito sua amiga, ela me pediu para ir até a loja e pagar sua dívida. Era o que ela precisava para ter seu descanso eterno.

Neste momento, minhas amigas abriram a porta da sala onde eu estava e não viram Ana, nem sentiram seu cheiro. Ela havia desaparecido. Trabalhar aquela noite para minhas colegas foi um tormento, pois elas ficaram com medo do fantasma de Ana. E eu também!

Na manhã seguinte, contei para minha mãe o que aconteceu e ela ficou muito brava comigo. Disse que era um sonho por estar muito impressionada pela jovem ter falecido justo quando tinha ficado noiva. Eu estava com muito medo e, ao mesmo tempo, bastante preocupada com minha amiga não estar em paz. Então, decidi ir à loja, verificar como estava a dívida dela.

Chegando na loja, expliquei o que havia acontecido à moça e me prontifiquei a pagar o valor que estivesse lá. E realmente, era um valor considerável. Realizei o pagamento e trouxe o comprovante para casa. Mesmo assim minha mãe não ficou convencida de que era fruto do além. Já eu, me sentia tranquila por colaborar com minha amiga.

Quando fui trabalhar naquela noite, voltei à sala onde vi o espírito de Ana e deixei o comprovante de pagamento em cima de uma mesa. Assim que o turno acabou, eu voltei ao local e em cima da mesa havia um papel escrito: “obrigada” com a letra de Ana. Desde então, nunca mais ela voltou do mundo dos mortos.

Meus netos, ao ouvirem essa história, disseram que eu realmente devo ter sonhado com ela e que tudo não passou de uma coincidência, assim como mamãe me dizia.

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